Elevado teor de nitrogênio e maior relação N/Ca na casca da pitaia pode predispor a incidência de manchas escuras e necróticas na casca dos frutos

Erica De Souza Santos, Cristina Soethe, Mariuccia Schlichting de Martin, Bruno Pansera Espindola, João Claudio Vilvert, Cristiano André Steffens

Resumo


Introdução: A pitaia é um fruto bastante conhecido por uma forma e beleza exótica. É também conhecida como fruto do dragão, é um fruto doce, rico em vitamina A, fibras e minerais. A epiderme é vermelha e lisa, com brácteas de cor verde-amarelada, e a polpa branca, contendo numerosas sementes de cor preta. O fruto vem apresentando alta aceitação nos mercados consumidores e sua produção tem sido cada vez maior no estado de Santa Catarina, especialmente na região sul do estado. Além disso, é um fruto que possui alto valor comercial, sendo um grande atrativo para a produção nacional. Os principais problemas pós-colheita são as podridões, dano por frio e a perda de água, não sendo relatado na literatura a existência de distúrbios fisiológicos externos no fruto. Contudo, há a necessidade de ampliar estudos sobre este fruto. Em alguns pomares localizados na região sul do estado de Santa Catarina, observou-se a ocorrência de um distúrbio fisiológico, caracterizado por pequenas manchas escuras dispersas em toda epiderme do fruto, especialmente na porção distal do mesmo, cujo tecido sintomático apresenta-se rugoso e pode apresentar descamação, porém, sem afetar a polpa do fruto. A ocorrência destas manchas é um grande problema para os produtores, pois prejudica a aparência do produto, depreciando o seu valor comercial. Observou-se também que, quando cortados ao meio, este distúrbio não se manifestava no interior da polpa. Objetivo: O objetivo deste trabalho foi verificar a relação entre o distúrbio fisiológico encontrado em frutos produzidos na região Sul de Santa Catarina e os teores minerais da casca do fruto. Metodologia: Para a realização do experimento, os frutos foram colhidos em pomar comercial e conduzidos ao laboratório, onde foram separados de acordo com a severidade do distúrbio (sem distúrbio, leve, moderado e severo), descascados e realizada análise nutricional da casca dos frutos quanto aos teores de N, P, K, Ca, Mg e as relações N/Ca, K/Ca, Mg/Ca e K+Mg/Ca. Em seguida, os mesmos foram repartidos ao meio para observar manifestação do distúrbio na polpa. Resultados: Os resultados da análise mostraram que os valores de K, Ca, Mg e as relações K/Ca, Mg/Ca e K+Mg/Ca da casca do fruto não apresentaram relação com as diferentes severidades do distúrbio fisiológico. Contudo, os frutos com incidência do distúrbio com severidade leve e severa apresentam maior teor de P, porém sem diferença dos frutos com severidade moderada, que não diferiu dos frutos sem distúrbio. Os frutos com maior severidade do distúrbio (moderado e severo) apresentaram maiores teores de N e maiores relações N/Ca. Conclusão: O distúrbio fisiológico caracterizado por manchas escuras e necrose da casca em pitaia está melhor relacionado com o elevado teor de N e maior relação N/Ca na casca do fruto.


Palavras-chave


: Hylocereus undatus; pitaia; distúrbio fisiológico.

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